Diastese Abdominal
A diástase abdominal ocorre quando o músculo reto abdominal se separa longitudinalmente ao longo da linha alba — o tecido conjuntivo que liga ambos os lados do abdómen. Esta separação pode enfraquecer o core, causar dores lombares, alterações posturais e até impactar a função dos órgãos internos.
É especialmente comum após a gravidez devido ao estiramento do abdómen para acomodar o crescimento do bebé, mas também pode acontecer por excesso de esforço abdominal, obesidade ou cirurgia abdominal.
Avaliação clínica
A avaliação pode ser feita de forma palpativa, sendo idealmente complementada com ecografia para maior precisão.
- A cliente deita-se em decúbito dorsal, com os joelhos fletidos e pés apoiados no chão;
- Solicita-se uma ligeira flexão da cabeça e ombros, ativando o reto abdominal;
- O profissional posiciona os dedos na linha média (acima, ao nível e abaixo do umbigo) para verificar a largura da separação;
- Considera-se diástase quando a separação é superior a 2 cm ou quando há ausência de tensão na linha alba, mesmo com ativações musculares corretas.
O que pode ser feito para melhorar ou reverter?
Na maioria dos casos, a diástase pode ser revertida com exercícios específicos e mudanças nos hábitos de movimento:
- Treino do core profundo, com foco no músculo transverso do abdómen;
- Exercícios de respiração funcional, como a respiração diafragmática;
- Pilates clínico adaptado às necessidades individuais.
Devem ser evitados:
- Abdominais tradicionais e pranchas;
- Movimentos que causem elevação da pressão intra-abdominal;
- Levantar peso de forma incorreta.
Conclusão
A diástase abdominal é uma condição comum, mas muitas vezes negligenciada. A sua correta identificação e tratamento são fundamentais para a saúde funcional e estética do abdómen. Ter o acompanhamento de um fisioterapeuta especializado em saúde pélvica ou de um personal trainer com experiência na recuperação pós-parto pode acelerar a recuperação e prevenir recaídas.
Elsa Lourenço
